Eu larguei a carta em cima da mesinha, no mesmo momento em que li, “Beijos, Dona Chica!”, entrei em desespero. Não sabia o que fazer. Não sabia se corria, se ficava ali. Só sei que a Dona Chica faleceu em nosso aniversário. Dei-lhe um ultimo abraço, e agradeci tudo que ela me fez na mesma intensidade que agradeci meus pais, quando me deram o ultimo pacotinho de pipoca lá no zoológico.
Chamei os médicos, e pedi que tomassem as medidas certas para que fizessem o enterro de Dona China. Ocorreu tudo como eu esperava da maneira mais bonita e simples possível. Lembra que eu comentei sobre duas meninas que dividia o quarto comigo? Adivinhe? É com toda certeza que esse ciclo é vicioso. Não sei se entendem, mas é diferente o mundo aqui em cima, ainda mais contar minha história assim. Morei em um lugar durante anos após a morte de minha querida Chica, quase mais de 50 anos na mesma casa, com as mesmas histórias, para uma única razão, viver sem ter medo do amanha. Viver e não se preocupar em errar aprendi com a minha mãe, e com todas as pessoas que passaram na minha vida. Por que, um trabalho bem feito, não necessita reparos.
-Fim.