Cheguei ao lugar onde havia pensado e sonhado há tempos. Realmente era um lugar adorável e maravilhoso, extremamente calmo e aconchegante. As semanas se passavam por lá e ninguém esperava pelo final de semana, pois trabalhar era a alma e o empenho daquele povo. A maioria das casas era beira rio, no estilo mais simples possível. Não existiam melhores situações financeiras, todos tinham o mesmo estilo de vida, e o monetário não era importante. Conheciam-se, respeitavam-se, e o melhor, eram amigos. A amizade era realmente valorizada, não existia tempo ruim naquele pedaço de terra sem dono. Podemos até imaginar esse lugar, pois não foge muito do padrão de sonho de cada ser que almeja um mínimo de tranqüilidade e alegria.
O dia por lá era como em qualquer lugar, porém havia algo completamente diferente, o ar passava sossego. O vento nos abraçava, as arvores nos convidava a cuidar cada vez mais do que nos é mais importante. Os passarinhos nos chamavam para dançar conforme a musica, feita pelo próprio canto. Ao longo dos dias se passavam, já sentia algo interno que me dizia que aquela cidade, era minha segunda casa. Sentia um apreço enorme por aquele lugar. Como já relatei, as casas eram simples, não existia luxo. A casa onde residia, era de quatro cômodos. Dividia com duas colegas, ambas queridas. Tínhamos um contato profundo, pois dormíamos todas juntas, éramos inseparáveis.
Para manter meu sustento trabalhava em uma quitanda que realmente adorava, cuidava de tudo, como se tudo, fosse realmente meu. Sempre mantive algo em mente, o trabalho bem feito, não é necessário de reparos. Devo todo meu ensino a minha família, em especial, minha mãe. Disse em especial ‘minha mãe’, pois foi muito mais que uma mãe para mim. Eu a perdi no dia do meu aniversário, quando completaria quatorze anos. Estávamos indo passear, toda a família reunida. No carro, estavam meus pais, meu irmão de cinco anos, e eu. Lembro-me como se fosse hoje, meus pais alegres, um sorriso lindo estampado no rosto, pois estavam nos levando no zoológico da cidade vizinha. Eu os olhava e os admirava, pois eram guerreiros, trabalhadores e o principal, eram os melhores pais do mundo. Nós não tínhamos dinheiro, porém, todas as datas comemorativas, nós nos reuníamos e festejávamos. Não importava o lugar, muito menos o clima lá fora, éramos decididos em nos divertir.
Já no zoológico, meu pai passou por um carrinho que vendia pipoca doce, me olhou, e percebeu que eu estava com vontade de comer. Distrai-me por dois minutos, dei minha total atenção para meu pequenino irmão, que estava querendo chegar perto da gaiola do macaco. Quando olhei para os meus pais, vi os dois, com pacotinhos de pipoca na mão, querendo satisfazer algumas de minhas vontades, já que era meu aniversário. Foi lindo aquele momento, típico momento de surpresa. Peguei o pacotinho, e os abracei agradecendo. Passeamos por todo o zoológico, brincamos até de imitar animais, um momento delicioso. Achei engraçado quando meu pai quis imitar um chimpanzé. Tirou até o casaco preto pesado que escondia sua arma (já que era policial), para brincar. Pulava que nem criança. Já minha mãe, viu que a brincadeira era boa, e começou também, a imitar seu animal preferido, o pingüim, de uma maneira atrapalhada, porém o imitou com gosto. Eu e meu irmão ríamos, até que caímos na realidade, e percebemos que todos estavam nos olhando.
((Irei dividir o conto em 5 postagens,espero que gostem :D))