Sábado, Janeiro 30, 2010

Sem reparos para uma vida bem vivida, Parte III

Concordei, e fiz o que ela disse. Enxuguei minhas lagrimas, e sentei-me à mesa. Senti-me em casa, e muito aconchegada. Dona Francisca era uma senhora muito bem afeiçoada, tratou-me como uma neta.


Como o tratado, logo pela manhã, acordei meio indisposta, porém preferi levantar. Dobrei todas as roupas de cama, fui ao banheiro lavar meu rosto, e fui direto a sala. Era uma casa simples, de quatro cômodos. Dona Francisca já estava toda arrumada, toda perfumada, parecia uma boneca. O cabelo estava impecável, cheio de grampos, fazendo um topete com a franja. Disse bom dia a ela, e me abraçou. Não entendia por que tanto afeto. Porém preferi receber o abraço, já que não tinha ninguém que pudesse me dar a não ser ela. Era mais ou menos 9h30m da manhã, Dona Francisca me convidou para ir a uma quitanda perto de sua casa, comprar algumas frutas e alguns alimentos. Aceitei, e fomos até lá.

A quitanda era simples, porém tinha de tudo, era como se fosse um mini-mercado. Ela me apresentou ao dono. Rapaz simpático devia ter seus 30 anos. Porém com compleição cansada e sofrida. Compramos tudo que podíamos comprar, foi até difícil de carregar tudo que ela comprou. Voltamos para sua casa. Todo o percurso, apesar de pequeno, ela perguntava de minha mãe. Eu comentava as qualidades que mais gostava. O mais engraçado, era que toda vez que falava sobre a aparência de mamãe ela sorria. Para melhor entendimento preferi perguntar coisas sobre a Dona Francisca. Ela possuía uma família, porém por motivos que ela preferiu não comentar, respeitei sua vontade. Contou que tinha uma saúde um tanto quanto comprometida, pois passou por momentos difíceis na infância.

O tempo passava, os meses corriam e já se fazia cinco anos que estava morando com a Dona Francisca. O amor que tinha por aquela senhora, era imenso, e o respeito ainda maior. Nesse tempo todo não parei de estudar, a Chica (passei a chamá-la assim por conta do carinho) me ajudava muito na gramática, foi ela quem me ajudou a escrever meu primeiro texto. Fez de tudo para que fosse publicado no jornal da cidade. Orgulhava-se de ter a mim por perto, dizia isso todos os dias. O texto foi publicado, na data do meu aniversário, ele contava o que passei há cinco anos. Foi tão bem aceito, que até me chamaram para comentar sobre o ocorrido no radio local. Dona China, fez de tudo para que ele fosse publicado numa data tão especial para mim, pois minha mãe fazia aniversario comigo, e para ela também, fazia aniversário no mesmo dia.